domingo, 27 de fevereiro de 2011

Portela tenta recuperar a altivez no azul do mar

Lá se vão 27 anos sem título e a maior campeã do carnaval segue seu calvário para somar mais um ano nesta conta. A azul e branco de Madureira não terá a chance de quebrar o jejum devido, para alguns, à vontade dos deuses do carnaval; para mim, à incompetência dos homens. O incêndio ocorrido na Cidade do Samba era perfeitamente evitável.

A Portela conta com um enredo no qual pode usar e abusar dos tons azul e branco, tão caros à escola e à sua gente. Um samba, que se não é uma obra-prima digna dos tempos áureos, é bastante funcional e adequado à proposta de enredo. Um carnavalesco experiente que pode inserir na agremiação um novo estilo, com um carnaval mais grandioso e impactante. Porém, infelizmente, todo este trabalho não será posto à prova.

Em 2008 e 2009, a Portela surpreendeu ao fazer desfiles além do que era esperado e chegou a vislumbrar a possibilidade do campeonato diante de si. Já em 2010, uma sucessão de erros, a começar pela escolha do carnavalesco, ajudou a compor uma desastrosa apresentação que foi poupada pelos jurados, agraciada com um imerecido nono lugar.

A expectativa estava em saber qual Portela viria em 2011: a esplendorosa de 2008 e 2009 ou a "sem noção" de 2010?

Já que disputa de campeonato não há mais, resta aos portelenses, e isto não é pouco, reencontrar o significado do que é representar uma das maiores instituições populares do país e colocar a embarcação na rota adequada para o carnaval 2012.

A Medicina terá o remédio para a Imperatriz?

Um samba-enredo dos melhores do ano e favorito ao estandarte de ouro, como tem sido marca da Imperatriz nos últimos carnavais. Um enredo direto, de fácil assimilação, bem elaborado, seguindo a linha da História cronologicamente, de forma reta, sem regressões ou digressões.

É desta forma que a escola do carnavalesco Max Lopes vem para a avenida com a esperança de que os "males" das últimas apresentações sejam extirpados e ela possa, ao menos, voltar no sábado para prolongar seu carnaval. O problema é o horário do desfile: ser a segunda a desfilar é quase sempre largar atrás. Mas nada que um bom desfile não possa atenuar.

Há 10 anos sem conquistar o título, quando foi tricampeã, a escola de Ramos parece estar longe do primeiro posto novamente. Anteriormente conhecida como "tecnicamente perfeita", a escola foi superada pelas coirmãs, que seguiram seu exemplo e passaram a fazer desfiles mais compactos e organizados(não frios, como alguns costumavam dizer).

Nesta década de seca, contou com a produção de dois carnavalescos do primeiro time, tradicionais, Rosa Magalhães e Max Lopes; apresentou sambas magníficos, mas pecou em evolução e harmonia. A Imperatriz precisa cantar mais! Precisa se sentir grande, já que ela é, ao lado da Beija-Flor, a maior campeã do sambódromo com seis conquistas.

Nos ensaios técnicos, principalmente o último, os componentes deram mostras de que vão pisar forte na avenida; tudo com o auxílio de uma bateria impecável. A Medicina somente não basta para a cura. A adesão dos pacientes(componentes) ao "tratamento" é fundamental.

São Clemente canta o Rio e sua Natureza

Pode-se argumentar: mas de novo o Rio? Estas escolas não têm criatividade? Como são repetitivas!

Mas o fato é que a Cidade Maravilhosa tem milhares de facetas e tem uma história de mais de 400 anos extremamente rica e cheia de profundas mudanças. Inclusive físicas. E são estas transformações que alteraram a imagem do Rio ao longo do tempo que serão cantadas pela São Clemente em 2011.

Para a escola da Zona Sul, o Criador delegou a São Sebastião e a São Clemente a missão de construir algo único, singular e defendê-lo de mentes gananciosas e destruidoras. O enredo passa pelas mudanças provocadas com a finalidade de aclimatar a Corte Portuguesa e aquelas introduzidas mais tarde pelo prefeito Pereira Passos. A agremiação não esquece de mencionar o outro lado da moeda: foi a partir desta política de urbanização que se iniciou o processo de ocupação desordenada dos morros.

O espírito carioca e a jovialidade de seus habitantes não são deixados de lado, ajudando a compor o mosaico em que a escola aposta para esquentar o público, já que será a primeira a desfilar.

A São Clemente foi "beneficiada" com o incêndio ocorrido em barracões de algumas escolas, pois era dado como certo o seu rebaixamento no pré-carnaval. Parece que o Criador incumbiu a São Clemente mais uma missão cinco séculos depois...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Império Serrano deve buscar no passado de glórias o caminho para brilhar no presente

Uma escola de samba que teve nos seus quadros compositores do quilate de Silas de Oliveira e Dona Ivone Lara. Que tem nos seus anais desfiles memoráveis como o de 1982. Uma escola que deu à cultura nacional relíquias como "Aquarela Brasileira" e "Heróis da Liberdade".

Tudo isso é uma parte ínfima da vasta história contida em uma instituição saída da Serrinha, mas que hoje pertence um pouco a cada brasileiro que se sente identificado com os ideais de liberdade e democracia, e mais ainda àqueles que se emocionam ao ver o jongo e ao ouvir os agogôs.

No entanto, o Império Serrano parece não ter ideia ou não se dar conta da sua relevância para o samba, para o carnaval, para o Rio de Janeiro. Nos últimos anos a escola não tem obtido os resultados que toda a sua grandeza, justamente, requer.

Apesar de vir sofrendo uma certa resistência por parte dos jurados - vide o belíssimo desfile de 2009, recontando Lenda das Sereias, que apresentou uma nova linguagem estética, indo de encontro à era do carnaval gigantesco e cinematográfico - há que se fazer uma autocrítica e apontar o que tem atrapalhado.

O Império continua sendo exemplo nos quesitos mais tradicionais do samba, que são a bateria e o samba-enredo, contando com uma ala de compositores que aparenta ser uma fonte inesgotável de melodias e amor à língua portuguesa. Então, onde está o problema? Alegorias e adereços, bem como fantasias, são quesitos que adquiriram novos e altos padrões de exigência, e é onde o Império vem pecando.

Sempre houve um receio da tradicional escola de Madureira, e digo até uma ojeriza, com a palavra modernização. Mas a Serrinha nunca perderá a sua essência, trazida desde o sonho de Molequinho e Dona Eulália e que atravessou 64 anos permanecendo no imaginário popular como sinônimo de bom samba, de tradição, de brasilidade.

Em 2011 os imperianos desfilam novamente no Grupo de Acesso, mas o Grupo Especial se ressente e é menos abrilhantado com a ausência da verde e branco. Espero que o grande samba e a força dos desfilantes despertem a gigante da longa hibernação.

Mais do que títulos, o Império precisa se enxergar no espelho...

A expectativa que antecede o desfile das escolas de samba do Rio: quem será a grande campeã? - O Globo Online

A expectativa que antecede o desfile das escolas de samba do Rio: quem será a grande campeã? - O Globo Online


A educação como processo - O Globo

A educação como processo - O Globo

A expectativa que antecede o desfile das escolas de samba do Rio: quem será a grande campeã?

Mais um (longo) ano se passou e eis que estamos às vésperas da maior alegria do brasileiro e razão de viver para muitos: o carnaval. Vamos de novo sentir a emoção e a batida dos batuques, tamborins, tambores, agogôs e afins. Iremos nos surpreender com as inovações e encher os olhos com o espetáculo de cores e formas apresentado na Sapucaí.

Ao contrário do que dizem as más línguas, na Marquês, tudo se renova e é isso que faz os desfiles das escolas de samba cariocas ser sucesso de público e crítica há mais de 70 anos. Apesar da imensa tristeza que assolou o mundo do samba há pouco tempo, com o incêndio nos barracões de três escolas, a vida segue, e estas, com auxílio e garra de suas respectivas comunidades e as ditas coirmãs, poderão passar pela avenida com dignidade.

A Grande Rio, favorita no período pré-carnavalesco, foi alijada da disputa por forças externas, infelizmente. A tradicionalíssima (e põe -íssima nisso) Portela não vai ter o brilho de desfilar com o gostinho de estar disputando o título. E a sempre cheia de alegria União da Ilha, após a felicidade de continuar no Grupo Especial, foi privada de pisar na passarela "para valer".

Resta a lição - e aqui vai um recado para prefeitura, administradores e técnicos da Cidade do Samba - que deve ser aprendida para o próximo período carnavalesco: vistoria constante e aparato anti-incêndio. Coisa elementar. Do contrário, o episódio pode se repetir, com 25% das escolas sem poder receber notas, sendo uma delas simplesmente a maior campeã do carnaval.

Dentre as que continuam na disputa, três se sobressaem: Unidos da Tijuca (a atual campeã), Vila Isabel e Salgueiro. Sinto que, neste momento, mangueirenses e nilopolitanos torcem o nariz (risos). Explico-me: não por acaso, estas três escolas foram capazes de vencer a campeoníssima Beija-Flor da primeira década do século XXI. Pode parecer clichê, mas estes resultados são fruto da organização, representada pelo investimento nas quadras, para receber mais gente nos ensaios e assim aumentar as receitas, da maior presença da comunidade nos desfiles e, claro, da criatividade do seu staff.

Por que a Tijuca (e agora me refiro ao bairro) está podendo neste carnaval, com as três favoritas saídas de suas ruas? A escola que tem a honra de carregar o seu nome vem com um tipo de enredo que tem se tornado sua marca nos últimos anos, algo entre o estilo hollywoodiano e o circense, que alçou a escola ao panteão das grandes do samba. Todos aguardam quais as novidades estonteantes, paralisantes e inebriantes que Paulo Barros vai tirar da cartola para nos presentear. Teremos de novo um desfile avassalador como o de 2010?

Andando um pouco pelo famoso bairro da Zona Norte, encontramos o Salgueiro do outrora (?) high-tech Renato Lage, que soube se adequar ao estilo mais barroco e afro do Salgueiro para tirar a escola do ostracismo e dar a ela mais um título. No ano passado, a vermelho e branco viveu a ressaca do término do jejum, mas em 2011 vem cantando mais uma vez o Rio de Janeiro, como só ela sabe fazer, mostrando uma outra faceta da Cidade Maravilhosa: sua presença no cinema.

Já a escola do bairro de Noel Rosa conta com abundância de dinheiro, celebridades do mais alto quilate e uma badalação poucas vezes vista no pré-carnaval. Mas só isso não bastaria. A Vila Isabel tem a multicampeã Rosa Magalhães e um bom samba que podem levá-la ao terceiro título.

Já a Mangueira e a Beija-Flor podem, sim, sempre contar com um dia inspirado de suas comunidades para arrancarem o título das mãos das favoritas, porém é pouco provável que isso aconteça em 2011. A verde e rosa ainda está no processo de reconstrução após algumas administrações, no mínimo, desastrosas que levaram ao acúmulo de dívidas e relações suspeitas com traficantes. É louvável a escolha do enredo que homenageará o baluarte Nelson Cavaquinho e mexerá com os corações de todos os mangueirenses. E quando a Mangueira vem falando de personalidades da música...vide 1984, 1986 e 1998, só para ficar na "era sambódromo".

A Beija-Flor parece ter perdido o fôlego nos dois últimos anos e a escolha do samba-enredo para 2011 foi um tanto quanto infeliz; no entanto, o forte apelo popular de seu enredo pode compensar o samba.

Mocidade e Imperatriz precisam se reformular para reviver as inesquecíveis disputas dos anos 90. Por ora, parecem estar fadadas ao papel de coadjuvantes. Já Porto da Pedra e São Clemente, com a ausência do rebaixamento, devem apenas figurar.

Quero opiniões dissonantes... Quem levará o Estandarte de Ouro? Quem encherá nossos olhos e fará nossos corações baterem no ritmo da bateria? Falta pouco...